sábado, 20 de setembro de 2008

Agonia

Não quero cantar a dor que me aquece
nem a lágrima fria,
não quero cantar nenhuma esperança vadia,
nem este olhar que escurece.

Não há canção para a noite ou para o dia,
para o semblante que envelhece.
E para o hoje que morreu sem nenhuma prece
não haverá canção, nem letra ou melodia.

Não falarei do peso que o medo oferece,
que me esmaga com delicada grosseria.
Para tudo que dentro de mim havia
fecho minha boca, tapo os ouvidos e a visão não reconhece.

Fecho a janela para este mundo que é fantasia
e não canto para o que era e apodrece.

Um minuto de silêncio, que minha morte merece,
só silêncio...
Nem canção,
nem discurso,
talvez um suspiro longo, infinito...
e um cálice cheio de uma vida vazia.

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