sexta-feira, 7 de junho de 2013

VAMPI

Vampiriza-me
que de sangue não tenho só o cabelo
tenho os olhos
a boca
os seios
as entranhas.

e o vermelho
que minha alma derrama
ainda serve de cama
mesa e banho

e enquanto teus dentes me provam
degustas meu corpo em taça
gole após gole
como vinho tinto
que sou.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

VERSOS OCULTOS



Há versos ocultos em risos cínicos,
Presos na garganta, em gritos atônitos.
Como quisessem explodir em vômitos,
Revoltos, paralisam os dedos tímidos.

Maldita seja essa ânsia estúpida
De rasgá-los em mil pedaços públicos
E espalhá-los por esses becos úmidos.
Gozar de uma serenidade súbita.

Livre, a garganta, dos versos patéticos,
Teria a boca uma secura pálida.
Corpo limpo de meus lixos poéticos.

A alma leve, em suspiros proféticos
Desprenderia em brancura flácida.
Voaria. Invisível aos olhos céticos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

MADRUGADA

Fim de madrugada
Vazia e silenciosa....
Ponteiros se arrastam.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

SECO


brindas meu corpo nu

em taça.
em goles curtos me consomes
e é a mim
que embriagas.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CALADO

Teu olhar parado
desenhado em branco e preto
encerra a madrugada.

Percorre o contorno da janela
abafa o ruído do relógio
destrói ensaios de sono
e volta
imponente
como fantasma que preenche o quarto.

Feito de um silêncio grave
te imagino som suave
e sem voz, e sem cor
te ouço
calado.

sábado, 18 de maio de 2013

DISPNEIA

preciso de ar.
mais ar do que cabe em meus pulmões
cansados ressecados vazios
mas sobrou alguma palavra
mal dita
não dita
desdita
parada em minha traqueia.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PRESSENTIMENTO

Meu peito está dormente
os olhos umedecidos
a alma descorada

o dia todo é um pôr-de-sol
que já vem durando dias
e explode no olhar vago
como se pressentisse
uma despedida.