quarta-feira, 9 de abril de 2014


atropelaram a poesia.

peso da realidade

hai-kaindo em minha cabeça.
e se 

perder-se 

também for uma

forma mal resolvida

de talvez encontrar-se?

estarei tão perdida

em mim mesma

que um dia

eu ainda

me acho

aqui
eu
que sou feita de ventos e folhas caídas 
trago a noite tão próxima de minha alma 
que meus olhos semicerrados 
nem sabem mais enxergar a luz.

sou toda
cortinas fechadas e caos

antes que a noite toda me engolisse
eu mesma a engoli

em uma mordida só.

sábado, 30 de novembro de 2013

Agora és todo o silêncio
pesado e agudo
e desesperadamente tranquilo.

E eu sou espera
longa, resignada, com palavras mornas
e cuidadosas.

E agora que nascem e morrem os dias
apesar de seres silêncio
nem é mais pesado.
E a espera que sou
já adormece
sonhando com outros rumos.

vinil

meu pensamento todo é um vinil riscado
volume descompensado
setenteoito rotações.

e me rasgo me desprendo me espalho e rio
caudalosamente

deságuo
na madrugada.

sou mais sonora
mais louca desvairada
e varrida
do que eu.
esta madrugada

tua presença em mim é detalhe.

e teu nome desbotado

não me faz nem suspirar


não nesta madrugada.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

TRISTEZA

Tristeza, faz o favor
passa depois
que mesmo disfarçada de verso,
hoje
te fecho a porta na cara.

Não me leves a mal
e acredita
hoje não tô pra poesia.